Neste estudo, procurou-se fazer um exercício
de reflexão de duas grandes máximas que foram os epicentros de análise
epistémica e que visaram correlacionar um dos maiores males da humanidade
(corrupção) e a estrutura fundamental da humanidade (família), para explorar
como a segunda se comporta num cenário onde a primeira varia num determinado
contexto, apesar de que este exercício não implica em causalidade, mas a
correlação exprime em número essa relação em proporcionalidade. Pelo presente
estudo foi possível explorar a percepção endógena de
corrupção dos chefes de agregados familiares de Luanda, que são os produtores e
reprodutores de cultura, agentes de controlo social e fiadores dos modos de
vida.
“Trata-se, sem dúvida,
de uma contribuição relevante para a compreensão da corrupção, sobretudo do
ponto de vista da interpretação psicossocial e sociológica. Note-se que isso
sucede num momento em que o discurso oficial se refere à corrupção como um cancro
a estripar e as famílias culpam a mesma de ser a causa do infortúnio em que se
encontram”.
A
percepção dos chefes de agregados familiares de Luanda reflecte tanto
conhecimentos de corrupção quanto do seu controlo, por essa razão aferiu-se que
os respondentes têm noção das expressões codificadas usadas em certos grupos
sociais e subgrupos como referência a corrupção; usados com o intuito de
despistar a percepção dos que não partilham o mesmo código linguístico.
No
decorrer da pesquisa se registou um empate técnico na avaliação (entre as
variáveis positiva e negativa) sobre o desempenho das instâncias
oficiais de controlo à corrupção, subentendendo que se devia implementar a
todos os níveis acções profilácticas de checks and balances sobre os
actos e procedimentos do anterior governo, por forma a se estabelecer uma
ruptura de demarcação e diferenciação dos actos e procedimentos do novo governo
(formado em 2017), a par do processo de restruturação das instituições nacionais,
redimensionamento da legislação, das políticas, estratégias e programas de
trabalho, também reformar os recursos humanos conotados com a anterior
administração governamental nos casos de corrupção.